Estudo de caso · Toposcan
Um programa para transformar 12 igrejas de Ponta Grossa em base técnica de projeto — da Catedral Sant’Ana ao Memorial do Tropeirismo. Aerolevantamento por drone, nuvens que chegam a 294,6 milhões de pontos, modelo BIM LOD 300 da envoltória externa com tolerância de ±5 cm exigida no briefing. Entrega especificada em IFC, formato aberto. 11 das 12 já têm modelo no acervo.

| Valor | O que é | Origem |
|---|---|---|
| 12 | igrejas no programa de digitalização | Manual de Modelistas LOD 300 — briefing técnico de 16 páginas, distribuído aos modelistas do programa |
| 11 | igrejas com modelo BIM no acervo | acervo de modelos do programa, verificado arquivo a arquivo |
| ±5 cm | tolerância exigida nos elementos principais da envoltória | Manual de Modelistas LOD 300 — especificação de tolerância |
| 294,6 milhões | pontos na maior nuvem com contagem registrada (Memorial do Tropeirismo) | relatórios de processamento das nuvens de pontos |
| 26 a 53 | fotos aéreas por igreja, em 5472 × 3648 px | Manual de Modelistas LOD 300 — especificação de insumo |
| 9 | igrejas com entrega em IFC no acervo | acervo de formatos por igreja, verificado |
| 3 | vistas de validação previstas por igreja | Manual de Modelistas LOD 300 — especificação de entrega |
| LOD 300 | nível de desenvolvimento dos modelos da envoltória | Manual de Modelistas LOD 300 — escopo do programa |
Patrimônio sem documentação técnica é informação que se perde
Quando a Notre-Dame queimou, em 2019, a reconstrução não partiu do zero. Partiu de levantamentos digitais feitos anos antes, por iniciativa de pesquisadores — não porque alguém previu o incêndio, mas porque alguém documentou enquanto dava tempo.
No patrimônio brasileiro, o cenário típico é o oposto. A planta, quando existe, tem décadas e não reflete o edifício como ele é hoje. Cada reforma começa com medição manual refeita do zero. Qualquer trabalho técnico futuro parte de geometria incerta. E um sinistro — um incêndio, um vendaval — apaga informação que nunca foi registrada.
O papel envelhece, se perde e não se atualiza sozinho. Um monumento sem base técnica digital depende da memória de quem cuida dele. Foi esse o problema que o programa de Ponta Grossa atacou.
Gire o modelo · Catedral Sant’Ana
O modelo na sua mão
36 vistas renderizadas do modelo IFC entregue da Catedral Sant’Ana — arraste para dar a volta na edificação.
- 12edificações no programa
- LOD 300casca externa
- IFCformato aberto
O programa: 12 igrejas, um padrão só
O programa definiu a digitalização de 12 igrejas de Ponta Grossa (PR), das históricas às contemporâneas. Um briefing técnico de 16 páginas — o Manual de Modelistas do programa, distribuído a todos os modelistas — fixou o escopo, igual para todas.
O combinado: modelo BIM LOD 300 da envoltória externa de cada igreja, tolerância de ±5 cm nos elementos arquitetônicos principais, entrega em IFC aberto (IFC 2x3 Coordination View 2.0 ou IFC 4 Reference View). Acompanham, pela especificação, o arquivo nativo e 3 vistas de validação por igreja.
A lógica é tratar patrimônio como infraestrutura de informação: cada igreja vira um arquivo técnico que qualquer projeto futuro — restauro, manutenção, ampliação do entorno — pode abrir e usar.

O que existe hoje no acervo
Das 12 igrejas do programa, 11 já têm modelo no acervo: Catedral Sant'Ana, Nossa Senhora do Rosário, Sagrado Coração de Jesus dos Polacos, Imaculada Conceição, São José, Santa Rita, Nossa Senhora da Saúde, São João Paulo II, São Sebastião, a Capela Santa Edwiges e o Memorial do Tropeirismo. A décima segunda já tem o voo feito e entra na mesma esteira.
Nove igrejas têm entrega em IFC no acervo. Conforme a igreja, há também OBJ, DWG, SKP e FBX. A Catedral Sant'Ana recebeu entrega multiformato — IFC, OBJ, DWG e SKP no mesmo pacote — para servir tanto quem trabalha em BIM quanto quem projeta em CAD ou visualiza em SketchUp.
O padrão de entrega definido no briefing prevê, para cada igreja, o modelo em formato aberto, o arquivo nativo de modelagem e 3 vistas de validação que permitem conferir o modelo contra o edifício real.

Como uma igreja vira modelo
O método é o mesmo para todas: voo, nuvem, modelo, arquivo aberto.
Primeiro, o aerolevantamento por drone. Cada igreja recebe entre 26 e 53 fotos aéreas de 5472 × 3648 pixels, com coordenadas de referência por edificação — o modelo nasce posicionado por essas coordenadas, não flutuando no espaço.
As fotos passam por processamento e viram nuvens de pontos densas. As contagens registradas nos relatórios dão a escala do dado bruto: Memorial do Tropeirismo com 294,6 milhões de pontos, São José com 96,9 milhões, São Sebastião com 79,6 milhões, São João Paulo II com 65,3 milhões e Sagrado Coração de Jesus (Polacos) com 28,4 milhões.
Sobre a nuvem, a modelagem BIM: cada parede, torre, cobertura e ornamento é traçado sobre a evidência da nuvem, seguindo a tolerância de ±5 cm que o briefing exige para os elementos principais. A especificação de saída é o IFC, nos dois formatos abertos fixados no briefing.

Por que LOD 300 e só a casca externa
O escopo do programa é a envoltória: fachadas, paredes externas, cobertura, torres e campanários, esquadrias externas e ornamentos de fachada. Sem elementos internos. Isso não é limitação disfarçada — é a decisão que mantém o modelo honesto.
O drone enxerga o que está exposto ao céu e à rua. Modelar o interior de uma nave a partir de um voo externo seria inventar geometria, e geometria inventada em documentação de patrimônio é pior que geometria nenhuma: parece confiável e não é. Só entra no modelo o que a nuvem de pontos sustenta.
LOD 300 é o nível em que a geometria é confiável para projeto: forma, dimensão e posição definidas dos elementos, sem detalhamento decorativo fictício. Interiores podem ser objeto de escopo separado, com captura dedicada, mediante avaliação do edifício — e a base externa serve de referência de partida para esse trabalho.

IFC: a entrega que não prende o dono do dado
O briefing fixa a entrega em IFC 2x3 Coordination View 2.0 ou IFC 4 Reference View, mais o arquivo nativo e 3 vistas de validação por igreja. IFC é norma aberta: o modelo abre em qualquer software compatível — dos grandes pacotes BIM a visualizadores gratuitos — sem licença do programa em que nasceu.
Software muda, licença expira, fornecedor some; o formato aberto foi concebido para continuar legível quando isso acontecer. As vistas de validação previstas na especificação permitem conferir cada modelo contra a edificação real sem instalar nada. E o arquivo nativo acompanha, para quem for continuar o trabalho na mesma ferramenta.
O dado pertence a quem contratou, em formato projetado para sobreviver ao contrato — e à troca de software.

O que um acervo assim muda para quem gerencia patrimônio
Os usos abaixo valem para qualquer acervo desse tipo — são os públicos que um programa assim serve, não a descrição de quem contratou este.
Para um município: inventário geométrico do patrimônio edificado, em arquivo aberto, base para editais de restauro e planos de manutenção — em vez de um levantamento novo a cada licitação. Para proprietários e mantenedores de edifícios históricos: a documentação deixa de depender de plantas antigas e da memória de quem cuida do prédio. Para um escritório de restauro: o projeto começa com a geometria da envoltória pronta, no software que o escritório já usa, sem levantamento de fachada antes da primeira prancha. E a documentação pode apoiar a instrução de processos de tombamento e pedidos de captação de recursos — a avaliação e a instrução formal cabem aos profissionais e órgãos competentes.
Em cenário de dano — o argumento Notre-Dame — existe um registro geométrico do edifício como ele era na data do voo. Um ponto importante: o modelo registra geometria. Ele não atesta estado de conservação, não substitui laudo técnico e não afirma conformidade com norma alguma. É a base sobre a qual esses trabalhos começam — sem medir o edifício de novo.

De onde vem cada número deste case
Escopo, tolerância, formatos e insumos vêm do Manual de Modelistas LOD 300 — briefing técnico de 16 páginas, distribuído aos modelistas do programa. As contagens de pontos vêm dos relatórios de processamento das nuvens. A lista de igrejas modeladas vem do acervo de arquivos, verificado item a item.
Sobre as imagens: a geometria dos renders é a do modelo IFC entregue. Nós aplicamos as cores e os materiais para facilitar a leitura — é maquete digital, não fotografia, e não representa estado de conservação de nenhuma edificação. Cada imagem publicada leva essa legenda, para que a proveniência não se perca quando a imagem circular sozinha.
O contratante do programa não é identificado, e valores e prazos contratuais não são publicados. O programa abrange 12 igrejas; este case mostra as 11 que já têm modelo no acervo — a décima segunda tem o voo feito. Publicamos o que podemos provar.
As demais edificações do programa




Perguntas frequentes
O modelo serve como laudo do estado de conservação da igreja?
Não. O modelo registra a geometria da envoltória — forma, dimensão e posição dos elementos — com a tolerância de ±5 cm exigida em especificação para os elementos principais. Ele não atesta condição estrutural, patologia ou conformidade. O que ele faz é dar a quem emite laudos uma base geométrica para começar.
O que significa LOD 300 de casca externa, na prática?
Que fachadas, paredes externas, cobertura, torres, esquadrias externas e ornamentos de fachada estão modelados com geometria real — não simbólica — seguindo a especificação de ±5 cm do briefing para os elementos principais. Elementos internos não fazem parte do escopo: o voo de drone não os enxerga, e o programa não modela o que a nuvem de pontos não sustenta.
O interior da igreja também pode ser modelado?
Pode, como escopo separado. Interiores exigem captura dedicada, com logística própria, definida mediante avaliação do edifício. A base externa já modelada serve de referência de partida para esse trabalho — nada do que existe é descartado.
Preciso de software pago para abrir os arquivos?
Não. O briefing fixa a entrega em IFC (2x3 Coordination View 2.0 ou IFC 4 Reference View), norma aberta que abre em qualquer software compatível, inclusive visualizadores gratuitos — no acervo atual, nove igrejas já estão em IFC. A especificação prevê ainda, por igreja, o arquivo nativo e 3 vistas de validação, que permitem conferir o modelo sem instalar programa nenhum.
As 12 igrejas já foram entregues?
Não. O programa abrange 12 igrejas com o mesmo escopo e método. No acervo, 11 já têm modelo BIM — são as que este case nomeia e mostra; a décima segunda tem o voo feito e segue na mesma esteira. Publicamos o que está pronto e verificado, não a promessa do conjunto.
As imagens do case são fotografias?
Não. São renders da maquete digital: a geometria vem do modelo IFC entregue; nós aplicamos cores e materiais apenas para facilitar a leitura. As imagens não representam textura real nem estado de conservação das edificações.
Preciso ter um conjunto de 12 edifícios para contratar, ou vale para um monumento só?
Vale para um só. O método é o mesmo — voo, nuvem, modelo LOD 300, entrega especificada em IFC com vistas de validação — para um edifício ou para doze. O programa de Ponta Grossa é a prova em série; um monumento único é o caso mais simples. Para conjuntos, propomos começar por um piloto de uma unidade.
Patrimônio sem documentação técnica?
Tem um edifício histórico sem documentação técnica — ou um conjunto inteiro sob sua gestão? Mande o nome e o endereço pelo formulário do site da Toposcan. Respondemos com o plano de captura, o escopo de modelagem e a proposta; para conjuntos, um piloto: uma unidade primeiro, para você validar método, modelo e formato de entrega antes de fechar o resto. Documente enquanto dá tempo: o modelo registra o edifício como ele é hoje — e ninguém volta no tempo para levantá-lo depois.
Contratante não identificado a pedido. As igrejas são monumentos públicos e estão nomeadas. Números conferidos no escopo e no acervo entregue. Imagens: geometria dos modelos IFC entregues; cores e céu aplicados por nós para leitura (maquete digital) — não são fotografia.
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